Cruz Vermelha Brasileira oferece cardápio especial no Noites Solidárias

21/12/2017 Por: Jorge Velloso Fotos: Divulgação

A última ação em 2017 do projeto “Noites Solidárias” da Cruz Vermelha Brasileira ganhou um cardápio diferente, no Rio de Janeiro. A sopa distribuída todas as quartas-feiras para moradores de rua foi substituída por panetone e yakisoba, prato de origem chinesa oferecido pelo restaurante Let’Sushi.

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A novidade que agradou a todos serviu para amainar uma de noite de lembranças nem sempre alegres, desejos de mudança e agradecimento. Rômulo do Carmo, de 38 anos, se encheu de alegria quando recebeu a refeição. “Nem almocei hoje”, contou o ex-morador da Baixada Fluminense que vive há seis meses debaixo da marquise do Ministério Público, no Centro da cidade.

Rômulo disse que se tornou morador de rua quando perdeu o emprego de maqueiro. Pressionado pela mulher e três filhas a resolver a difícil situação, decidiu deixar “para trás as brigas” e se tornou parte da crescente população que dorme nas calçadas. “Mas não gosto de lembrar. Isso me deixa muito triste”, disse antes de se despedir.

Brigas com familiares ou vizinhos, pelo visto, estão entre as causas que levam pessoas a dormir nas ruas. Também reticente e sem querer recordar de um período distante de sua vida, Alcione Almeida, de 34 anos, contou que seu problema foi uma vizinha. Separada, morando com a mãe e dois filhos, decidiu sair de casa “para garantir a segurança da família”. Sem ver os filhos “há muitos meses”, revelou que “já está acostumada” com as ruas.

Para Isabel, conhecida na área como Carolzinha (nenhum morador da rua gosta de dar seu nome, segundo disse), dormir na calçada também pode ser sinônimo de liberdade. Aos 31 anos, chegou ao local há cinco meses, depois que deixou a prisão por tráfico. “Estou curtindo a liberdade”, disse a ex-moradora de Sepetiba. Mostrando a pequena barriga de uma gravidez “descoberta essa semana”, Carolzinha pega o que recebeu, posa ao lado do parceiro, e segue “a fim de aproveitar a vida”.

Com uma proeminente barriga de quem está no sexto mês de gravidez, Silvana Regina, 33 anos, vive há 13 anos na rua. Sua decisão foi tomada após a morte da mãe, quando decidiu deixar com o padrasto o apartamento herdado em uma comunidade na Vila Vintém, zona Oeste da cidade. “Quero ficar longe da tentação das drogas e do apelo do tráfico”, explicou. Trabalhando como camelô e alegre por ter comprado um carrinho de mão, onde transporta suas mercadorias, Silvana diz que vai economizar para morar entre quatro paredes quando a filha nascer. Antes de sair com o companheiro, acrescentou: “vamos conseguir”.

Quem conseguiu sair das ruas foi Walace Cleber, 48 anos, que foi confraternizar com os antigos companheiros e garantir o jantar.. Ele dormiu sob aquela marquise por dois meses, após perder o emprego e não mais conseguir “segurar a barra” com a mulher e dois filhos, de 23 e 20 anos. “Aqui é mais perto para irmos a qualquer lugar. Não é necessário pagar passagem na busca por emprego”, explicou. O ex-barbeiro que também foi paraquedista e conseguiu alugar um quarto no centro, alimenta o desejo de revelar para os filhos as dificuldades que enfrentou e reatar com a família. Contou ainda que manteve o corpo em dia com corridas no Aterro do Flamengo e acrescentou: “É importante é manter o foco. Eu nunca desisti”.

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